pol.gif Alfabetização

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A alfabetização é vista como a construção de um conhecimento, construção de um conceito do que é ler e escrever, que tem suporte mão só na criatividade e no raciocínio lógico da criança, mas também nas suas relações sócio-afetivas . A alfabetização vista assim é a apropriação de um objeto conceitual que implica o estabelecimento de correspondência entre dois modos: o da representação oral e o da escrita. Nesta perspectiva, ler e escrever não é decifrar textos e copiar, e sim uma nova maneira de se expressar, de se comunicar com os outros e com o mundo.

bor5.gifMétodos de alfabetização

Método tradicional:
(...) ler é aprender a identificar letras, sílabas, palavras e frases para depois conseguir decifrar curtos e simples textos escolares específicos; ler, no período da alfabetização, consiste em codificar e decodificar letras e sons; o aluno só consegue ler depois de dominar a técnica da leitura e da escrita, quando, então, passa a ter contato com textos reais e com a linguagem utilizada cotidianamente; o alfabetizando precisa memorizar e fixar informações, das mais simples para as mais complexas, que se vão sobrepondo e acumulando na composição das palavras, que têm um fim em si mesmas. (SANTOS. ).

Segundo Santos, alfabetizar nessa perspectiva leva ao aluno a uma aprendizagem mecânica e a automação da escrita:

Ao alfabetizar o aluno com embasamento no método tradicional, valoriza-se o produto final do ato de ler e escrever, entendendo-o como decorrente da aquisição de habilidades como, aprender a técnica, desenvolver a coordenação motora, discriminação visual, o uso de lápis, do papel, etc., o que gera ênfase primordial na automação da escrita para, numa segunda etapa, voltar-se para a compreensão ou interpretação do texto, em detrimento ao processo de construção da língua escrita pelos alunos.
É caracterizado pela correspondência do som com a grafia e pela relação de correspondência entre as letras para a palavra (partes-todo). É caracterizado pela memorização do nome das letras (regras de sonorização e correspondência com a escrita).

A aprendizagem da leitura e escrita neste método é vista de forma mecânica; trata-se de adquirir uma técnica para decifrar o texto, porque se concebe a escrita como a transcrição gráfica da linguagem oral e ler equivale a decodificar o escrito em som.
Método sintético:

O método sintético ou fonético dá ênfase na análise auditiva para que os sons sejam separados e estabelecidos às correspondências grafema-fonema (letra-som). Desta forma o fonema é associado à sua representação gráfica, relacionando-os sinais gráficos. É caracterizado pela correspondência grafema-fonema (letra-som). A criança é estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente.
No método fônico é trabalhada a pronúncia correta para evitar confusões entre os fonemas. Deve-se ensinar um par de grafema-fonema de cada vez, sem passar para outro enquanto a associação não estiver bem memorizada.

Segundo Santos:

Com o método sintético, a criança é um aprendiz que vai juntando informações; que aprende uma família silábica após a outra se supondo que, em dado momento no decorrer desse caminho, tenha um insight e compreenda a relação entre todas essas sílabas, fazendo uma síntese a partir de uma determinada quantidade de informações.
Os métodos sintéticos subdividem-se em:

a) alfabético: o aluno aprende as letras isoladamente, liga as consoantes às vogais, formando sílabas; reúne as sílabas para formar as palavras e chega ao todo (texto);
b) fonético ou fônico: o aluno parte do som da letras, une o som da consoante ao
som da pronunciando a sílaba formada:
c) silábico: o aluno parte das sílabas para formar palavras.
Método analítico
No método analítico parte-se do reconhecimento global de palavras ou orações para posterior análise dos componentes. Propõe-se ainda a necessidade de começar com unidades significativas para a criança.

Segundo Kramer, apud in Soares (2005:16), os processos de leitura e escrita são vistos como:

Ler e escrever significa apreensão e compreensão de significados expressos em língua escrita (ler) ou expressão de significados por meio da língua escrita (escrever); nessa perspectiva a alfabetização seria um processo de compreeensão/ expressão dos significados, “um processo de representação que envolve substituições gradativas (“ler” um objeto, um gesto, uma figura ou desenho, uma palavra) em que o objetivo primordial é a apreensão e a compreensão do mundo , desde o que está mais próximo da criança ao que lhe está mais distante, visando à comunicação, à aquisição de conhecimento...à troca


Desta forma, a principal característica que diferencia o método sintético do analítico é o ponto de partida. Enquanto o primeiro parte do menor componente para o maior, o segundo parte de um dado maior para unidades menores.

Na analítica, o aluno aprende primeiro uma série de palavras e depois parte para a associação entre o som e as partes das palavras.
Os métodos analíticos subdividem-se em:

1. Palavração: este método parte da palavra. Existe aqui a preocupação de que vocábulos apresentados tenham seqüência tal, que englobam todos os sons da língua e as dificuldades sejam sistematizadas gradativamente. Depois da aquisição de determinado número de palavras, formam-se as frases;

2. Sentenciação: esse método parte da frase para depois dividi-la em palavras, de onde são extraídas os elementos mais simples: as sílabas;

3. Conto, estória (global): esse método é composto de várias unidades de leitura que apresentam começo, meio e fim. Em cada unidade, as frases estão ligadas pelo sentido para formar um enredo, havendo uma preocupação quanto ao conteúdo que deverá ser do interesse da criança.

Dominada a leitura, inicia-se a análise das palavras, tendo em vista a natureza do processo de ler, que é um processo analítico-sintético.